- Publicado por Pedro Roque

Bem-vindos, caros leitores, que estão a ler e a contemplar estas desoladas linhas passadas para o computador por um simples adepto; como já devem ter reparado, esta será a minha rúbrica semanal, postada todas as sextas-feiras, intitulada de «Sem Limites», isto, pois, literalmente, ultrapassará todas as barreiras, os temas e as opiniões serão polémicos, controversos e darão muito que falar, mas não só pelos pensamentos como pelos assuntos, que abrangerão tudo e mais alguma coisa do “desporto rei”; falarei de tudo, e claro, sempre “Sem Limites”. Deixando-me de brincadeiras, passo a apresentar o que vos trago esta semana. Primeiro tenho no Word uma crónica sobre os 3 jogadores que considero os melhores do mundo que aguarda que lhe mostre a “luz do dia”, porém, à última hora, lembrei-me de deixar tal texto para a semana que vem e, hoje, apresentar-vos-ei uma crónica sobre o senhor Nuno Miguel Soares Pereira Ribeiro, mais conhecido no mundo futebolístico por Nuno Gomes, que alterou o seu último nome em tributo ao seu jogador favorito de infância, um grande avançado, muitas vezes não reconhecido devidamente, Fernando Gomes (este magnífico avançado era conhecido pela sua declaração característica: “Marcar um golo é como ter um orgasmo”). Deixo-vos com a biografia do jogador do Benfica e, no final, a minha opinião sobre a sua actual situação(aviso que será um pouco grande a crónica):

O avançado português formou-se no Boavista e a sua estreia aconteceu na época 1994/95, quando tinha apenas 18 anos: é de salientar que, nesse tempo, chegou a jogar ao lado de João Vieira Pinto. Dois anos após se ter juntado ao clube, a sua presença foi crucial para ajudar o clube axadrezado a bater o Benfica, de modo a poderem ganhar a Taça de Portugal. Est
a temporada foi bastante boa para o ainda jovem goleador, na medida em que conseguiu marcar 15 golos no total das suas aparições. Foi esse feito que lhe concedeu a oportunidade de se transferir para o Benfica, por 3 anos, onde não desapontou e onde, em 127 aparições, encostou a bola na rede 76 vezes. Por volta da viragem do milénio, a sua fama crescia a olhos vistos, era tido como um “menino de ouro” para o futebol português, não só pelos seus golos, mas pela sua forma de jogar. No Euro 2000, brilhou em campo, fez espectaculares exibições num campeonato que levou Portugal às meias-finais, sendo apenas derrotado pela França. Nesta taça europeia, Nuno Gomes foi o 3º melhor marcador com 4 golos, sendo só superado por Patrick Kluivert e Savo Milosévic, tendo sido nomeado para a equipa do torneio (destaque para Figo e Rui Costa que também merecerem tal honra), ficando entre os melhores jogadores.

Teve a chance de ir jogar para Itália, mais propriamente para o, na altura, poderoso clube Fiorentina. Em duas épocas, conseguiu conquistar a taça Italiana (Coppa Italia) e marcou 20 golos nos 55 jogos em que esteve em campo. Porém, após a sua segunda temporada, o clube italiano entrou em falência, o que o levou de volta para o seu amado Benfica, onde permaneceu até hoje, ganhando 1 SuperTaça, 1 Taça de Portugal (Nota: no Boavista, clube onde iniciou a sua carreira profissional, já tinha ganho a edição de 1996/1997 da Taça de Portugal) e a Liga portuguesa na época 2004/2005, marcando um total de 81 golos em 215 jogos nesta sua segunda passagem pelas “águias”. Na história da selecção portuguesa, é o 4º melhor marcador com 29 tiros certeiros nas suas 72 exibições, no total das suas Internacionalizações, foi Campeão Europeu de Sub-18, chegou às meias-finais do Euro 2000, foi finalista na mesma competição em 2004, atingiu o 4º lugar no Mundial 2006 na Alemanha e alcançou os quartos-de-final no recente Euro 2008. No clube do seu coração, Benfica, é o 10º melhor marcador de sempre, entrando para a lista quando marcou o seu 150º golo com a camisola nº21 do clube vermelho.

Após esta síntese da sua carreira, podemos pensar “é pah, até pode ter marcado uns golitos e tal, mas ele é avançado, não deveria ter marcado muitos mais, já que é assim tão bom”? Quem diz que um avançado só tem a função de marcar golos? Para quem não sabe, foi nomeado para a equipa do Euro 2000, não só por ter sido o 3º melhor marcador da competição, mas, muito principalmente, pelas suas exibições espectaculares, não pelos golos, mas pelo seu desempenho em campo, pelo seu rendimento. Muitos não sabem mas, em tempos gloriosos, o avançado do Benfica fintava e corria de uma maneira inimaginável, driblava os adversários e seguia para a baliza enfrentando um assustado guarda-redes que não conseguia impedir a bola, que parecia ter uma trajectória inalterável, de entrar, construía jogadas, fazia passes óptimos. Em suma, sempre foi um jogador que nunca parava até ter a bola nos pés para poder construir jogo e isso é que lhe valeu a tal honra no final do Campeonato Europeu e o facto de ser considerado como um “puto maravilha” (poucos desconhecem mas o actual capitão do Benfica, era considerado um Jovem maravilha quando o seu rendimento em jogo passou a ser visto à escala mundial na altura do europeu de 2000). Hoje em dia, para muitos, a chama do glorioso camisola 21 já se apagou, extinguiu-se aquando das suas numerosas lesões depois da sua saída do clube italiano por onde passou, porém, discordo… E de que maneira.

O actual capitão das águias nunca foi um finalizador de máxima categoria, é algo que todos sabem, sempre foi mais caracterizado como um grande segundo avançado, servindo de apoio a um colega goleador, é isso que tem de se exigir ao habitante de Amarante, não podemos impor que só pode ser bom se marcar muitos golos num jogo, temos de reconhecer o seu valor em campo pelas jogadas que constrói, pela ajuda e moral que consegue fornecer à equipa, pelos passes que faz, pela sua visão de jogo e, se conseguir, que marque um golo ou dois, mas não é aquilo que é mais importante exigirmos. Na televisão, pode passar despercebido, mas para quem já assistiu a jogos na Luz e viu o nº 21 a jogar, sabe que nunca pára quieto, a sua área de jogo não se restringe ao meio-campo adversário como para a maioria dos pontas-de-lança, vem ajudar a defesa, pega na bola e ajuda a fazer a transição para o ataque e são nessas ajudas preciosas ao sector defensivo, que fazem com que, por vezes não apareça tanto no ataque como é esperado, que frequentemente deixe a felicidade de marcar o golo a outro camarada que esteja na frente. Agora pergunto-me, que direito têm as pessoas de dizer que não tem rendimento suficiente para jogar na equipa de Quique Flores? Só porque não enfia a bola nas redes tantas vezes como as pessoas esperam não significa que seja um mau avançado, aliás é um erro pô-lo a jogar sozinho na frente, ele é um jogador de apoio a outro avançado, ele constrói a jogada para depois um colega finalizar, algo mais da espécie do estilo de jogo de Rui Costa. Afinal de contas, nem todos os avançados têm o dever de marcar, quem dinamiza as jogadas também não tem o direito de ser r

econhecido? Sabe-se que já não é jovem e que completará 33 anos no dia 5 do mês de Julho do actual ano, já foi dito que, quando o fim da sua carreira dentro de um campo de futebol chegar, terá um lugar na direcção do seu clube do coração, um cargo junto a Rui Costa, mas até lá, devemos menosprezar esta mais-valia do futebol lusitano? Devemos aproveitar ao máximo a sua capacidade de jogo e não o criticar por não ser como um Liedson ou um Lisandro, dar-lhe o devido valor pela sua incrível e nunca falada visão de jogo, orgulharmo-nos de um tesouro nacional que nos valeu tremendas alegrias. Nuno Gomes, um autêntico guerreiro dentro das 4 linhas que sempre se esforçou ao máximo, e apesar do que muitos dizem, nunca desistiu, continuando a lutar para provar o seu valor, mais, não a lutar por si mas pela glória de uma equipa em que é um dos pilares que a suporta, ama o futebol e o clube, clube esse em que enverga uma solitária camisola vermelha com o por vezes esquecido nº21 às costas; quando entra em campo, leva sempre a sua incessante vontade e paixão de simplesmente “jogar à bola” como se diz na gíria… Portanto, honras seja feitas a um VERDADEIRO HERÓI!

E acabo assim a minha crónica desta semana, agora cabe aos leitores decidirem o que acham deste jogador, bom, mau, vocês é que sabem e a caixa de comentários deve e é para ser usada para debater temas como este, comentem, fiquem bem e até á próxima semana... Muito futebol para todos :D
Cumps, Pedro Roque
Etiquetas: Nacional, Nuno Gomes, Sem Limites