"Crisebol" - A nova realidade do futebol português
Apresentação do Redactor ~ LunarParadise
Antes de mais nada, tenho de me apresentar. Chamo-me Marco e tenho 15/16 anos (hoje faço 16, que ironia). Pratico jogging,ciclismo e futebol, nenhum deles federado, apenas como hobbie e gosto pessoal. Sou sportinguista ferrenho e o meu estilo de música preferido é o Metal, nos subgéneros Black, Heavy, Trash, Speed e Gothic e Progressive,e a minha banda preferida são os Moonspell.
Neste blog, vou trazer-vos as minhas crónicas sobre o mundo do futebol português, sobre o jogging, algum ciclismo e performance desportiva no geral. Espero que apreciem os meus posts e trabalho, desejo-vos as melhores felicidades e uma vida muito ligada ao desporto. ;D
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Crónica: "Crisebol" - A nova realidade do futebol português
Perceberam o título? A palavra "futebol" tem uma formação interessante: "fute" (pé) + "bol" (bola). É o jogo onde temos de jogar, com alguma habilidade, uma bola com o pé, com o nobre objectivo de a introduzir na baliza adversária; a equipa que o fizer mais vezes, ganha. Hoje em dia, passa-se o mesmo, mas com o comum mortal lusitano. Cada vez mais temos rematar a crise económica (não uma bola, isso seria fácil demais) para uma baliza bem longe da nossa.
Como todos sabemos, o mundo está a atravessar uma crise económica de grandes proporções, e que ainda não tem fim à vista. A questão é simples: é o futebol português actual compatível com a crise? Daí o título desta crónica. É correcto juntarmos a palavra "crise" à palavra "futebol"? Não respondam já.
Estamos numa altura de poupanças e de redefinição de prioridades nos custos familiares. O “crisebol” (palavra habilidosamente inventada pelo próprio redactor) é a recém-nascida habilidade de adaptação aos novos custos de vida por parte das famílias, em relação às dificuldades que hoje se lhes apresentam: usam menos o carro, compram roupa apenas em saldos, cortam nas coisas supérfulas, tiram o filho da explicação, tiram a filha da natação, cancelam a televisão por cabo e despedem a empregada de limpeza. No novo panorama, onde cada vez mais famílias se debatem com o desemprego e os rendimentos baixos, e onde dificilmente conseguem enfrentar a renda da casa, do automóvel, do condomínio, os avultados custos da água, da luz e do gás, sobra muito pouco dinheiro para tudo o resto: roupa, objectos e diversão pessoal.
Em Portugal, pagam-se caras as idas aos jogos de futebol. Cada bilhete pode variar dos 20€ aos 60€, na maior parte dos casos. Como é possível a uma família, onde ao fim do mês só lhe resta uma mísera centena de euros, ir assistir aos jogos de futebol do clube do coração? É impossível. Ainda mais difícil é, sabendo que se arrisca a que o clube tenha uma má exibição ou consiga um mau resultado, pois todos estamos susceptíveis a que isso nos aconteça qualquer dia, a sorte não é eterna. Espantem-se se constatarem que o Estádio da Luz tem cada vez menos assistência, se apenas 15 mil pessoas assistiram ao último jogo do Leão, e se o Estrela da Amadora voltar a dever salários aos jogadores. É insustentável manter o futebol um desporto de elite. Em crise, as elites são forçadas a aglutinar e a classe média é tendencialmente unida pela necessidade de conter os custos. Enquanto os clubes portugueses não baixarem os preços dos bilhetes, das quotas de sócio e de todos os outros produtos associados, menos dinheiro vão ver a cair nos cofres. É isso mesmo. Nenhum clube precisa de vender os bilhetes a 30€ para se manter vivo, pelo que todo o dinheiro desnecessário às vitais necessidades do clube, deve ser reduzido. Sei que o Sporting tem vindo a fazer, ultimamente, preços muito acessíveis para os sócios e para os não-sócios, o que é uma iniciativa exemplar. É iniciativas destas que todos os clubes em geral deveriam passar a implementar, o que acabava logo com um grande entrave para a ida dos adeptos aos estádios: o preço.
O Futebol nacional vai ter se adaptar às possibilidades dos adeptos e usar a sua criatividade para atrair de novo os portugueses aos estádios, ou todo o sócio ferrenho vai perceber que mais vale dar 23€ para ter SportTV e ver o futebol no conforto do sofá, do que para pagar ao clube em quotas.
Apelo às administrações para redefinirem os custos, aproximarem-se do adepto e tentarem unir os sócios em prol do futebol.
A minha opinião não é catastrofista, é apenas realista. Temos de tornar o futebol visível a todos, para que todos apreciem a beleza que há 100 anos apaixona Portugal de uma ponta à outra.
Ao leitor:
O que acha da minha opinião quanto à crise que se debate no futebol nacional? O que acha do preço por bilhete praticado pelo clube do seu coração?
Os melhores cumprimentos, ~ LunarParadiseEtiquetas: Bilhetes, Crise, Economia, Futebol, Nacional, Preço
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